Carta Um.

Querida F.,

A ironia está presente na palavra que antecede o seu, dito, nome: você tornou minha vida o inferno. Esquecerei as boas maneiras, a educação frívola e partirei por que estou lhe enviando essas palavras.

Descobri há pouco tempo que a senhorita foi responsável pela imagem que me marcou desde terna idade (ou sete anos mais propriamente). Suas palavras ardem até hoje em minhas veias. Lembro-me com a memória de uma criança: a sua presença invadindo a minha, chamando-me de menino, bruxa, etc. Uma vez disse-me que nunca poderia sentar com você no intervalo porque eu era nojenta, e não era menina – quem era você para me dizer o que eu sou ou não?

Hoje eu ignoraria, riria, ou até mesmo bateria (como você fez comigo uma vez), no entanto, naquela época você se tornou a noiva do diabo. E confie em mim quando digo que era desposada pelo capiroto, coisa-ruim ou qualquer termo que queira usar.

Eu era uma criança, meus pais me deixaram ser criança até quando eu bem entendesse – e agradeço imensamente por isso -, no entanto, pra você eu era burra também. Não bastasse tornar minha vida social incrédula, espalhando asneiras por aí e dizendo o quanto eu era nojenta por não gostar de usar jeans – o que ainda não gosto.  Lembro-me do seu olhar de desprezo direcionado a mim, e ainda me marca.

Você ficou apenas um ano naquela escola, no entanto, eu completei todo o ensino obrigatório. Por você ser encaixada nos moldes dali: rica, cabelo liso e magra; todos acreditaram em você. Terminei o ensino médio com a mesma imagem que você me deu: feia, burra, nojenta. Só hoje, depois de treze anos, praticamente, sou alguém.

Queria dizer que o que você fez foi maldade. Talvez você precisava de atenção, tivesse inveja de algo que não entendo ou queria estender o que seus pais faziam a você, eu não sei; mas eu não te perdoo. Você me deixou feridas abertas.

Meu pai diz que nós damos importância para os outros: então, é isso, estou lhe dando o cargo de ceifador da minha autoestima quando eu tinha sete anos. Eu espero que você conviva com isso para o resto da sua vida e tenha sensibilidade para não repetir esses feitos.

Passar bem. (ou não tão bem)

Rancorosamente,

Carolina.