Praça da Sé.

Você ri da minha ansiedade

Da minha depressão

Melancolia, autoflagelamento

“meus gatos me arranharam”

“bati na porta”

“enrosquei meu cabelo na escova”

“tropecei na escada” – quantas vezes tropecei na escada.

“cortei sem querer o dedo fazendo comida”

“estava brincando com meus primos e escorreguei”

“devo ter comido abacaxi para minha boca estar assim”

“minha cabeça está doendo, deve ser stress”

– por que você não sai muito? Por que não gosta do seu corpo?

Eu gosto dos gatos porque ele tem sete vidas.

Sinto atração por outras pessoas – claro que sente

Não é difícil ficar com alguém assim?

Deve ser patológico, não deve-se entender o que é mentira ou verdade

(nem deve ter mentira ou verdade, é tudo um emaranhado)

Ninguém me toca, ninguém me abraça

mas é tudo isso que eu quero.

(silêncio)

Talvez a confusão e o errado não estejam na sociedade

– e sim, em mim.

A praça da Sé não me satisfaz tanto quanto a tarja preta,

o próximo (o atrito de cabelos unhas peles células mortas)

e a incerteza de estar viva aos 30 anos.

É bobagem essa sua insegurança

sua vontade de tirar fotos

e tudo o mais – você quer atenção.

Não escutava meus gritos? Você não me merece, eu tenho medo, você tem certeza que me quer?, não há não seis, fale a verdade, vamos marcar, vamos viajar mesmo?, por favor me confirme.

A surda não era

SÓ! (sempre só)

Eu.

(onde eu acho alguém que me proteja?

Em mim eu tentei, não deu

mas fui minha inimiga a aliada)

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