Dia quinze.

Dias em que meus dedos não encontram as teclas nem a tinta o papel – dias, séculos, milênios, tudo dentro de uma alma, no mínimo, atormentada. Tarja preta, saudações ao céu e banho do pescoço para cima não sanaram toda a melancolia, distopia, e também o vazio – tremendo buraco negro, abismo surreal, espectro que me leva ao inferno -, no entanto, ela já me é a companhia.

Das noites nem tão belas.

Ou escuras.

Dos meus medos entrelaçados a minha rotina.

Aos beijos nem tão molhados.

E a destruição de todos a minha volta.

Como explanação de minha alma podre e miserável, vejo que todos se envolvem firmemente em mim cair – um de cada vez, com a calma de uma pena que ronda o céu. O corpo caindo, de forma angula, espremido contra o que eu vomitei: a rotina dantesca, as dores, o sangue; tudo que eu sou e deixei de ser.

Eu sou nada.

Sempre fui o nada.

Nada para oferecer, nada para receber; nada no mar que são meus neurônios – esses que me imaginam pulando em um carro em movimento, estourando uma .15 no céu da boca, tomando dez capsula de veneno. Entre outras formas de fim, ou começo, que abençoaram tantos escritores.

A sua paz traria o antônimo para, no máximo, umas dez pessoas.

Um pouco de culpa.

Orgulho ferido.

A minha calma, a maré baixa e o pé na areia (afundado), espancaria as incontáveis ideologias – de gente que importa.

Não me importa a cegueira para ver uma bandeira vermelha e negra. Seria perdoável – o assim se faz, assim se paga – com a mente, tornando-a pesada, de algumas pessoas.

“Não entra nessa”, me dizem – eu me encontro nessa há, no mínimo, dez anos. Ninguém observa, ninguém percebe.

Não há um só minuto que eu respire – promessas que eu não quebro não me satisfazem.