Praxe.

Para Lucas,

Hoje não é nenhum dia especial, mas não somos lá muito bons em questões que o tempo grita, não é verdade? (ainda mais você que me fez um convite inusitado em catorze dias de conhecimento) Só que a noite passada me lembrei que você extinguiu minha anedomia, ainda extingui – e como você é o suplemento para as minhas insônias e pavores -, e está no processo de me deixar confortável com meu cabelo emaranhado – ao enfiar os dedos neles sem piedade com minha autoestima.

Além desses acontecimentos rotineiros em nosso laço, sinto a falta da sua boca; essa que viola minha língua e ri dos meus trejeitos, chama-me de nomes não encontrados em dicionários. Acho graça também assim que me busca ao chegar a seu lar, suas roupas sociais me incomodam, trazem-me felicidade – e um pouco de tristeza – por saber que você tem uma vida acima de minha metafísica; mas gosto do seu cheiro de labor, dos seus dedos já com marcas de teclas e como o seu cansaço embala meu sono.

Sua falta de exaltação sobre sonhos futuros me inquieta, mas, novamente, os seus lábios gargalham da minha ingenuidade, e diz-me que sou boba, púbere – mas sobrevivo: tenho uma lista de lugares atrás das minhas retinas. Eu gosto das suas promessas, as quais você não expele, mas lança com o olhar, ao me aceitar te mostrar as fotos dos lugares que quero conhecer e experimentar, ao sorrir ao dizer dos meus projetos e a possível carreira de empregos que terei. Importuna também seu sentimento de egoísmo, achando que eu sou frágil, mas esse sentimento transforma em comédia dentro de mim. Me perdoe por essa confissão, mas seu silêncio e suas frases que já conheço são divertidas para quem tentar ter o conhecimento máximo das sociedades.

Você sabe: pesadelos são sinônimos das minhas dormidas, e fico feliz quando eles me visitam e você está ao meu lado – nada mais acolhedor que abrir os olhos e sentir sua pele chapada no meu rosto, como se ela fosse meu travesseiro. Ou quando sua ponta do nariz desce até o final do meu pescoço quando estou falando algo sério e quer me desconcentrar.

A primeira vez que me cobriu com uma coberta até o topo da minha cabeça e disse que depois desse ato, como mágica, só existiram nós dois no Mundo, eu acreditei (ainda acredito). E só existe mesmo, afinal das contas, quando estamos lendo algo interessante, você descansa sua mão no meu joelho ou eu deito a cabeça no seu ombro. Quando choro em algum filme ou por ter o emocional desequilibrado em relação a lágrimas você beija minhas pálpebras como se isso fosse extinguir meu sentimento – não extingui, mas consigo sorrir ao menos.

É engraçado como você me liga bêbado também, dizendo-me as pilhérias mais não devotas a você – não direi o conteúdo dessas falas, pois seria muita falta de amor a sua pessoa. É divertido quando bebemos juntos também, e você me chama de fraca enquanto ri das minhas escolhas esperadas para o álcool. Também é quando te tento ensinar a dançar – olha, dois para lá, dois para cá – e você sabe que é melhor fingir que entendeu a me contestar que nunca dançará.

No mais, não há motivos para essas escritas. Talvez seja só saudade do que vivemos plenamente.

Com amor,

Carol.

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