Duplipensar o magnum opus.

Eu nasci nesse Mundo – disseram-me. Ele sempre foi assim.

Não existiam países, era só um – o Nosso Mundo, era chamado – e tínhamos apenas um governo. Todos trabalhavam para ele – em umas bibliotecas desmontadas e lixões, achei HQs que explicavam como as pessoas do Passado imaginavam o Futuro. Até hoje procuro entender qual é o significado do presente. Minha avó, que já está velha, explicou-me que é o já, o imediato. Mas se não fosse o imediato devia ser chamado de Progresso.

Eu nem sei o motivo de chama-la de avó. Cada mania tem esses Velhos. Eles acreditam em tudo – dizem que existiam alimentos na terra. Isso é tão… utópico. A crença dela é baseada na superstição, no imaginário arcaico dela. E eu, bom, fui influenciada pela sua criação. Afinal, a minha mãe – novamente, o vocabulário arcaico – preferiu ser Estrangeira, não que isso seja legal, mas ganhei uma fama boa na Instituição. Tão boa que todos acham que eu vou fugir e os superiores me dão mais atenção.

São nove horas. Eu preciso dormir.

Ou minha avó receberá uma advertência sobre uma neta que desrespeita o Governo.  

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