O Azar de Natasha.

Eu li antigos recortes meus, palavras que justificam os milhares de simbolismos presentes em minhas mãos, os desabafos em acentos e a verborragia dos meus pensamentos mundanos. E eu me lembrei do meu passado de alguns anos (poucos mas alguns) em que eu sofri.  Nunca contei para outrem ouvido e tímpanos, e pra nem sequer íris algumas que tentou me desencorajar.

Eu menti. (senti meu Mundo engolir ele próprio, como a cobra que come a si própria) Eu minto até hoje – com esse meu nome russo, alemão, que é só é um arquétipo para fugir dos meus próprios medos. As pessoas dizem muito sobre mim, palpitam muito sobre meus medos, sobre meus sentimentos, sobre minhas coisas. Eu agradeço porque não está escrito em minhas palmas da mão quem eu sou, ou o que eu sou. Seria muito grata a deus, ou a qualquer ser superior prescrito em nossa mente, quais são minhas características. Prefiro remeter que eu tenho a personalidade fraca. (Como as minhas pernas frágeis que não aguentam meu tronco igualmente frágil.)

Queria ser punk ou grunge, mas eu não passo dos meus vestidos coloridos e floridos, dos meus tênis rosa e azuis, e minhas tiaras tão floridas quanto uma coroa de velório. (mas ainda sim, queria ser grunge) Mas tudo bem, eu aceito minhas flores no cabelo, mesmo não as querendo.

Disseram-me esses dias que eu sinto muito. Seria divertido se não mentira – não é que eu sinto, simplesmente: eu sou esses sentimentos. Os sentimentos, esses que me sentem. Eu vivo em um carrossel, me seguro nas pontas das orelhas dos pôneis maciços e ficam rodando, rodando. Fica normal; às vezes, dá enjoo. Confio à vida o meu estômago – onde é pra ir?, se não estou bem em lugar nenhum. -, se ele me incomoda é porque algo está errando. Algo está corroendo minha rotina, minha empatia.

Eu queria ter tantos nomes e só tenho um. E o infinito é tão pouco pra um nome só.

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ANNA

 

Assista um filme comigo

perdoe minhas insistências

perdoe meu desafeto – tenho desculpas

E encontre meu passado, enquanto fale do seu – que tenho muita vontade

De escutar.

Com os murmúrios da minha mente

Eu só não fui porque você manteve

outra hannah no

lugar

que

eu

(poderia)

ocupar.

Amásio.

 

Morfeu estalou o tapa em minha cara

sua mão inexistente marcou minha bochecha esquerda

a marca de quem não dorme há dias

semanas

meses

anos

de quem nunca dormiu

 

O motivo?

O traí com seu filho – Ícelo.

Este aparece todas às vezes – oro para que ele não apareça.

Ele beija minhas pálpebras e bocas com sua língua gelada, ri abafando seus dentes em meu pescoço,

e deita ao meu lado.

 

Meus tremores não o assustam,

vejo

Pennywise me acordando a noite com suas unhas em minhas têmporas

já fui corpo decomposta em um grupo de necrofilia

sou Alex pela quarta vez – sem a fotografia de trás para frente

eu era alguém dos jovens em 120 Dias de Sodomas

 

Minha mãe me diz para parar de vez filmes e livros assim,

“não dá, mamãe, eu vivo em um mundo assim.”

Desde dentes quebrados a uma cicatriz no pé,

desde medo de escuro e timidez,

meu pai sempre me fala que sou passional.

 

Hathor me observa, calada

não gosta dos seus inimigos (os gregos)

e tem medo que a minha serotinina seja extinta.

Ela me quer com ela – mas eu tenho medo,

 

O que tem a noite além dos meus gritos na garganta

e lágrimas incumbida em minhas sinapses?

Por que tanto fascina os amantes se ela traz

meu passado mais doente?